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Fractal Imperfeito

A vida se expande numa organização fractal que, em teoria, deveria repetir formas perfeitas, como as geradas por computadores a partir de fórmulas matemáticas. Mas, na prática, não é assim. Variáveis externas e internas rompem essa ideia de perfeição: chuva, granizo, avalanche, posição do sol distorcendo o crescimento, nutrientes variados, ar rarefeito, genéticas distintas, espécies vizinhas competindo, tirania (e rebeldia), excesso ou falta de força, dúvidas e hesitações, azar, acidente, doenças... Essas falhas são o que torna a vida de fato interessante. A beleza está nas irregularidades, nos erros que ensinam, nos desvios que surpreendem, nas fissuras que revelam algo novo. A vida imperfeita nos emociona porque ela exige nosso envolvimento, esforço e imaginação. Nada está garantido, tudo se constrói, se transforma. Se eliminássemos esses agentes que bagunçam a matemática, que mundo seria esse das formas perfeitas? Sem curvas, quedas, surpresas, assombros, estranhezas, sobressaltos, choques, sustos, abalos, estremecimentos? Por que desejar esse mundo utópico, digital e impossível dos fractais perfeitos, se são as variáveis imprevisíveis que diversificam a vida?

Série Fractal Imperfeito, 2020. Caneta de nanquim sobre papel. 24x32 cm cada obra.

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